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Carreira e a decisão de entrar no mestrado

Escrito por no dia 10/07/2014

Olá Pessoal!
Quero compartilhar uma entrevista que fiz com um dos meus colegas do mestrado, Clóvis Teixeira Filho, sobre carreira e a decisão de entrar no mestrado. Espero que a entrevista o inspire a pensar na sua carreira.

1. Você sempre soube o que gostaria de fazer na sua vida profissional?
Não. Essa foi uma decisão difícil e gradativa. Na realidade, sabia o que não queria fazer, o que já ajudava muito. Mas acredito que o encontro com a área profissional é construída também pelas experiências que temos na academia e na própria carreira. Essas experiências, aliadas às vivências sociais é que nos despertam questionamentos: Será que fiz a escolha certa? Será que escolhi a melhor forma de fazer aquilo que gosto? Não seria melhor trabalhar com outra coisa?

Minha escolha foi baseada naquilo que gostava como lazer e no meu perfil (gostava de arte e gostava de comunicação de todo o tipo), então achei que a publicidade e propaganda era o caminho para aliar essas duas coisas. Durante a faculdade, conheci o que era marketing, tive a oportunidade de atuar em veículo de comunicação, grandes clientes e ter contato com agências, o que reforçou minha decisão pela área. Fui buscar aperfeiçoamento com especialização também. Os questionamentos ainda continuam, mas é preciso saber separar o desinteresse pela área da crítica à atuação de outros profissionais ou da auto-crítica.

2. Como foi a sua experiência profissional até aqui?
Fazendo essa análise, é interessante como lembro claramente de um desespero para conseguir estágio. Acredito muito que o que temos de recompensa depende de nós mesmos, da nossa batalha diária. Depois de conseguir esses estágios, tudo foi mais fácil. Ainda durante a faculdade, passei rapidamente pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), Lojas Americanas e VIVO. Foram experiências muito ricas! O maior veículo de comunicação do Paraná, uma das maiores varejistas do Brasil e a maior organização do setor de Telecomunicação mostraram que reconhecimento e resultado, dependem de muito trabalho. Aprendi muito, mas lembro que a parte técnica era menos complicada do que entender as motivações de cada profissional, as diferentes formas de realizar o mesmo trabalho e todo o relacionamento necessário em um ambiente de convivência profissional. Depois, tive a oportunidade de trabalhar na AmBev e também na Editora Positivo. Grandes organizações onde o ambiente de mudança constante exigia do profissional não apenas conhecimento técnico, mas a superação de frustrações e a busca constante pela  conquista de objetivos organizacionais e pessoais. Com culturas totalmente distintas, cada organização teve uma contribuição específica na minha formação profissional. Acredito que a grande sabedoria na carreira é conquistar resultados para a organização em que atua, sem perder o foco naquilo que quer como resultado para sua vida.


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3. Por que você entrou para o mestrado? Alguém te incentivou ou serviu de exemplo?

Essa é uma pergunta que continua se repetindo na minha cabeça (risos). A resposta é o ponto de equilíbrio daquilo que quero para minha vida, sem perder de vista minha carreira. Como falei anteriormente, sempre gostei de comunicação. Mas a figura do professor me incentivou muito. Tive péssimos e excelentes professores, como acredito que a maioria teve. Mas isso me levou a pensar em dar aula. Também via a dificuldade que profissionais recém formados tinham na hora de atuar nas organizações por onde passei. O que aumentou meu interesse pela docência.

Já em pesquisa, tive uma tutora, que me ajudou muito e com quem aprendi o que realmente era pesquisa científica. Longe da linguagem complicada de exatidão e validação, tive a oportunidade de entender porquê construir conhecimento, antes mesmo de entrar na faculdade. Claro que precisei correr atrás de conhecimento específico da minha área, mas o básico para realizar uma pesquisa e entender a sua importância já estava desenvolvido. Como passo lógico para alguém que se interessava por ministrar aula e por construir conhecimento, acabei no mestrado. Por um lado, não conseguia pensar em fazer um mestrado sem antes ter conhecimento empírico; do mesmo jeito que não imaginava dar aula sem um mestrado.

4. Além da UFPR, você se inscreveu em outras instituições? Quais foram?
Nossa, um monte: PUCPR, UFMG e UFRGS. A UFPR e PUCPR tentei por dois anos e passei no segundo. Fui selecionado nas duas do Paraná e fiquei em lista de espera nas demais.

5. Como foi o processo seletivo dessas instituições?
Em geral, muito parecidos com o da UFPR. Existe a prova da Anpad, depois uma análise de currículo, entrevista e redação. Com exceção da UFMG, que solicitava também um projeto de pesquisa, as demais seguiam esse processo.

6. O que você imagina daqui para frente e após terminar o mestrado?
Penso em direcionar minha carreira para a docência e consultoria, provavelmente em momentos diferentes. Iniciando com as aulas, sem perder de vista uma possível volta às organizações privadas e, posteriormente, dando espaço para o Doutorado.

7 . Quais dicas você daria para aqueles que também querem entrar no mestrado?
Separei em dois tópicos: antes do mestrado e depois do mestrado.


Antes do mestrado:
Selecione a instituição com base na nota da Capes e no currículo dos docentes do programa;
Pesquise o processo seletivo das instituições, entendendo qual o motivo de cada etapa;
No teste Anpad, um diferencial é a prova de raciocínio lógico. Entenda a tabela verdade e seja rápido;
Na entrevista, estude qual é o foco do programa do mestrado. Mostre disposição em realizar o mestrado, dedicando seu tempo para isso (verbalize que terá disponibilidade, preferencialmente, integral). É interessante entender também, qual é seu objetivo com o mestrado. A maioria dos programas forma professores de excelência ou pesquisadores intermediários. Portanto, é interessante que esse interesse por pesquisa e docência estejam presentes;
Na redação a intenção é verificar se você sabe escrever e consegue sustentar uma proposição com estrutura lógica;
Caso tenha experiência em organizações, fale apenas o necessário. Ainda há um certo distanciamento entre a academia e as outras organizações. Portanto, explique que tem experiência, mas que quer direcionar para algo que o mestrado também te ajude (aula ou pesquisa).

Depois de entrar no mestrado:
Comemore muito. Afinal, é uma conquista importante e com certeza muitos ficaram de fora.
Comemore mais um pouco. Afinal, será uma das últimas vezes que fará isso durante o mestrado.
Além de muito estudo é importante fazer o que gosta e manter uma agenda de exercícios físicos.
Não converse sobre sua dissertação em aniversário de criança ou na mesa de bar
Estude, publique e aproveite para praticar como se dá aula (os seminários serão rotina)
Faça contatos e aproveite para conhecer áreas diferentes
Procure programas de convênio com outras instituições
Seja humilde e escute tudo que seu orientador fala. Mesmo que não concorde, existe um jeito melhor de falar isso do que xingar ele no Facebook.  (risos)

A UFPR já liberou as inscrições para o doutorado e mestrado 2015, acesse aqui: http://www.ppgadm.ufpr.br/pdf/edital-009_2014-ppgadm.pdf

Boa sorte!  

 


SOBRE O COLUNISTA

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Graduada em Administração de Empresas (PUC-PR), MBA em Marketing (ISAE/FGV) e mestranda em Marketing pela UFPR. Profissional com ampla experiência em Planejamento Estratégico e de Marketing com atuação nas áreas de Gerência de Produtos, Marketing Digital, Feiras e Eventos e Sistema de Informações de Mercado. Trabalhou em empresas de grande porte em Santa Catarina e como empresária no segmento de jóias. Instrutora e consultora de planejamento e gestora de projetos. Perfil LinkedIn br.linkedin.com/in/adrianemoskalewicz | adrianemoska@yahoo.com.br

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