Blog, Entrevistas

Do Brasil para o mundo – parte 2

Escrito por no dia 15/08/2014

Continuando com o nosso especial sobre brasileiros que buscam no exterior uma nova oportunidade para crescer profissionalmente e pessoalmente, hoje conversamos com Rafael Bechelli que atuava na área de marketing de produto da indústria automobilística, em São Paulo, e foi para o Canadá, onde estuda na HEC Montréal.

Quando você percebeu que era a hora de mudar completamente o foco?
Minha carreira foi toda em marketing, mas tenho um bacharelado em administração de empresas, então decidi fazer um curso mais voltado para a minha área de atuação, uma vez que administração é uma formação muito genérica. Para aumentar minhas chances de evolução de carreira decidi fazer uma especialização em marketing e aprender um novo idioma ao mesmo tempo, o francês. Também, senti que estava ficando para trás em formação acadêmica frente ao mercado, então vi que era hora de fazer alguma coisa. Mas como MBA e pós-graduação no Brasil estão ficando cada vez mais comuns, eu decidi fazer fora do país para me diferenciar.

Como foi a transição do Brasil para o país que você escolheu morar?
O mais difícil foi largar uma carreira ascendente e estável, numa empresa e função que eu gostava bastante. Acredito que sair de zona de conforto seja o maior desafio, especialmente quando você já está bem estabelecido. A distância dos amigos e família também é uma ruptura importante, que só nos damos conta realmente quando estamos longe.

A adaptação foi um processo lento?
A adaptação no meu caso foi bem rápida no que diz respeito ao dia a dia na cidade. A vida aqui é muito mais fácil e a qualidade de vida é muito superior, então é fácil se acostumar. Além disso, eu já tinha amigos na cidade e me preparei bem financeiramente, o que me ajudou bastante. A parte mais difícil da adaptação é fazer amigos locais, a diferença cultural mostra sua cara nesse momento. Em Montréal, que apesar de grande parte da população falar inglês também, é uma cidade essencialmente Francófona. Então se seu francês não for muito bom você não vai aproveitar tudo o que a cidade tem pra oferecer culturalmente. Também fica mais difícil de fazer amigos locais porque eles levam a questão da língua muito a sério. Existem muitas leis para proteger a língua francesa. Para o mercado de trabalho você precisa ao menos ser bilíngue (inglês , francês). Saber uma terceira ou quarta língua em Montréal é bem comum também.

Quais as principais diferenças de estudar no exterior?
Eu nunca entendi bem porque muitas empresas valorizavam mais uma formação no exterior do que uma formação no Brasil, mas agora eu entendo. Os métodos são bem diferentes. No Brasil temos a cultura de “só o que teve em aula cairá na prova”, aqui pra cada hora em sala de aula você tem que estudar três em casa. E você tem que realmente estudar essas três horas. Outra diferença é que cada matéria você estuda com uma turma completamente diferente, o que pra mim talvez seja a parte mais rica de se estudar no exterior. Temos que utilizar todas nossas habilidades interpessoais, e desenvolver umas novas, para gerenciar grupos multiculturais. E mais, às vezes somos parte de cinco diferentes grupos ao mesmo tempo. Por isso, acredito que esta seja uma das partes mais desafiadoras e importantes dessa experiência. Bem diferente das experiências que tinha tido na empresa que eu trabalhava, porque dentro da mesma empresa é mais fácil alinhar os objetivos e gerenciar as pessoas.

Qual o conselho para alguém que busca encontrar em outro país o início de uma nova carreira?
Difícil porque depende muito do país e no Canadá, depende da província também. Eu moro numa província essencialmente francófona, mas se não for fluente em inglês ou francês, você fica fora da maioria das profissões. Exceto se você for da área de IT, aqui sobram empregos na área, logo as exigências são menores. Mas de forma geral algumas dicas: Estude o idioma muito bem, viva a cidade e as pessoas, estude o mercado de trabalho local, estude numa universidade do lugar pra onde quer ir, se prepare financeiramente, pois o mercado de trabalho para imigrantes é mais complicado e estabeleça uma rede de contatos, desde amigos, colegas, redes sociais comoLinkedIn e Internations, universidade, professores, entre outros. Networking aqui é a maneira numero um para conseguir emprego. 80% das vagas não são anunciadas e são preenchidas por indicações.


SOBRE O COLUNISTA

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Bacharel em Comunicação Social e MBA em Gestão da Comunicação Empresarial. Jornalista com mais de 10 anos de experiência, tendo passado por grandes veículos de circulação nacional. Hoje é o jornalista responsável pela Revista Digital Ponto Pessoal e assessoria de imprensa e comunicação institucional da agência Ponto Pessoal . Perfil LinkedIn http://www.linkedin.com/in/heversonbayer | jornalismo@pontopessoal.com.br

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